sábado, 2 de março de 2013

Arte utilitária



A arte utilitária tem como função básica estabelecer padrões de propaganda, moralismos e exemplos de determinadas sociedades. Muitas vezes ela deturpa ou modifica a realidade pois o propósito é contagiar ou promover determinados padrões de impressões sócio-políticas.
Dessa forma, presumimos que há construções de impressões sociais, políticas e econômicas que fogem da verdadeira natureza  dos acontecimentos, fatos e fenômenos artísticos; assim, a intencionalidade e não a casualidade está presente e determina toda a arte utilitária. Platão é implacável com a arte que não tem uma utilidade que se situe no campo ético, associando o belo, bom e verdadeiro em uma preocupação com a moral e política; os efeitos visuais causados pelas pinturas atrofiaria a verdadeira reflexão, e os fatos narrados poeticamente pelos artistas não teriam verdadeiro valor , o valor se faria pela sua contribuição real nesses acontecimentos.
Hoje, na contemporaneidade, a arte utilitária abarca outras questões, outras posições que abrangem essa utilidade, e isso varia de acordo com os grupos sociais que determinam, de certa forma, a própria visão utilitária dos acontecimentos artísticos em seu entorno. Em determinados grupos, a dança tem a função de promover a sociabilidade, a inclusão social de jovens que buscam novas perpectivas de vida. Exemplo disso é o projeto de Ivaldo Bertazzo que culminou no espetáculo “Samwaad”, cujo propósito foi trazer a dança associada à outras aprendizagens à jovens de periferia- uma parcela da sociedade que dificilmente pensaria  na arte como algo passível de abranger realizações concretas em suas vidas. Jovens que não teriam condições de se dedicarem à práticas artísticas e nem ao processo educativo de forma significativa; o utilitário para eles seria trabalhar desde cedo para se sustentarem. Penso que hoje, a arte busca sentidos, esteticamente, seja de forma utilitária ou não; a perspectiva idealista do sistema filosófico de Platão tem fundamentos que podem ser a base de muitos pensamentos que decorreram a história da arte até a contemporaneidade. De forma subjetiva, dentro do ideário dos artistas e dos espectadores, cada obra artística abarca questões diferenciadas em pontos de vista múltiplos. Uma pintura  pode ganhar um sentido utilitário (Guernica de Picasso, por exemplo, representa uma guerra civil, o pintor não participou da guerra mas vivenciou esse momento histórico, sua sensibilidade foi afetada pelas consequências dessa guerra e sua pintura retrata isso, seu propósito foi mostrar os horrores dessa guerra de forma tocante e provocativa, com a intenção de interferir politicamente e socialmente nesse acontecimento) ou apenas expressar um sentimento, pode representar a realidade ou modificá-la, sem que impeça a reflexão, aliás, instigando-a através de seus variados signos, proporcionando leituras diferenciadas; de qualquer forma, a arte tem seu valor, seja ela utilitária ou não.


Jalilian Stábile

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